quarta-feira, 8 de abril de 2026

Lobotomia: o que é, para que serve (ainda existe?)

A lobotomia foi um procedimento cirúrgico cerebral que consistia em destruir ligações nos lobos frontais do cérebro, para tentar controlar transtornos mentais graves, como esquizofrenia, depressão profunda e ansiedade extrema.

Embora algumas pessoas apresentassem redução de sintomas, a lobotomia causava frequentemente efeitos colaterais graves, como perda de personalidade, apatia, dificuldades cognitivas e incapacidade de funcionar de forma independente.

Com o avanço da medicina, o surgimento de medicamentos psiquiátricos e técnicas mais seguras e precisas levou ao abandono da lobotomia, considerada hoje eticamente controversa e sem evidência científica suficiente.

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Para que serve

A lobotomia era um procedimento utilizado em pessoas com transtornos mentais graves e considerados incuráveis, com os objetivos de:

  • Controlar a agressividade, para reduzir comportamentos violentos ou crises de agitação em hospitais psiquiátricos;
  • Tratar psicoses, tentando eliminar alucinações e delírios em pessoas com esquizofrenia. Conheça os sintomas da esquizofrenia;
  • Aliviar angústia extrema, servindo como última alternativa em casos de depressão profunda ou ansiedade que não respondiam a outros tratamentos. Faça o teste de depressão.

Em alguns casos, o objetivo da lobotomia era apenas tornar a pessoa mais fácil de ser cuidada por familiares ou profissionais de saúde.

Apesar de deixar a pessoa mais calma, havia uma perda de criatividade e autonomia, o que acabou tornando a técnica condenada pela ciência.

Significado de lobotomia

O termo lobotomia vem do grego lobos, que significa lobo e tomē, que significa corte ou incisão. Ou seja, significa literalmente “corte do lobo”, referindo-se à cirurgia que corta ou destrói conexões nos lobos frontais do cérebro.

Lobotomia ainda existe?

A lobotomia não é mais usada atualmente como tratamento para doenças mentais, foi abandonada por ser perigosa, causar efeitos graves e não ter comprovação científica de eficácia.

A lobotomia frequentemente provocava efeitos colaterais severos, como perda de personalidade, apatia, dificuldades cognitivas e comprometimento da autonomia, tornando a vida diária da pessoa extremamente limitada.

Atualmente, existem tratamentos muito mais seguros e eficazes para doenças mentais graves, que incluem medicamentos psiquiátricos, como antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor. Saiba quais são e como tomar os antidepressivos.

Leia também: Antipsicóticos: para que servem, tipos e como usar tuasaude.com/antipsicoticos

Além de terapias modernas de neurocirurgia, como a estimulação cerebral profunda, cingulotomia estereotática e capsulotomia. 

Estes procedimentos são cuidadosamente planejados, guiados por imagens cerebrais e aplicados apenas em casos específicos, geralmente quando outras abordagens não surtiram efeito.

Como era feita a lobotomia

A lobotomia era realizada por neurocirurgiões ou, em alguns casos, por psiquiatras treinados, consistindo em cortar ou destruir conexões nos lobos frontais do cérebro.

As principais técnicas de lobotomia eram:

1. Lobotomia frontal

A lobotomia frontal, também chamada de lobotomia pré-frontal, consistia na abertura do crânio para que o cirurgião pudesse acessar os lobos frontais diretamente. 

O procedimento utilizava instrumentos cirúrgicos especializados, como leucótomos, para cortar ou destruir as fibras nervosas que conectavam os lobos frontais a outras áreas do cérebro. 

Geralmente, era necessária anestesia geral, devido à invasividade da cirurgia, embora os riscos de complicações fossem altos.

O tempo de recuperação física levava algumas semanas para a cicatrização completa das feridas, mas o impacto mental era imediato e permanente. 

Embora a pessoa pudesse caminhar em pouco tempo, passava por um longo período de reabilitação, no qual precisava reaprender tarefas básicas, como se alimentar sozinha, vestir-se, tomar banho e organizar suas atividades diárias.

2. Lobotomia transorbital

A lobotomia transorbital era uma técnica em que o cirurgião acessava os lobos frontais através da região atrás dos olhos, usando uma ferramenta semelhante a um picador de gelo, por isso chamada de \"técnica do picador de gelo\".

Diferente da lobotomia frontal, que exigia abrir o crânio, esse método era mais rápido e podia ser feito sem anestesia geral, com a pessoa geralmente colocada em inconsciência por choques elétricos breves.

Essa facilidade tornou a prática muito perigosa e banalizada, sendo aplicada até em consultórios e em pessoas com problemas leves, como insônia ou mau comportamento.

3. Lobotomia química

A lobotomia química era uma forma de intervenção cerebral que não envolvia cirurgia, mas o uso de medicamentos para alterar ou suprimir a atividade de regiões do cérebro, especialmente os lobos frontais. 

O objetivo era reduzir sintomas de transtornos mentais graves, como agressividade, ansiedade intensa ou psicose, de maneira semelhante à lobotomia cirúrgica. 

No entanto, esse método também podia causar efeitos colaterais significativos, incluindo alterações de personalidade, apatia, sedação excessiva e comprometimento cognitivo, e nunca se mostrou uma alternativa segura ou eficaz.



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Dor na bexiga: 12 principais causas (e o que fazer)

A dor na bexiga normalmente é causada por infecção urinária, mas também pode indicar pedra na bexiga, endometriose, prostatite, bexiga neurogênica ou câncer, por exemplo.

A dor na bexiga pode ser acompanhada de outros sintomas, como sensação de dor ou ardor ao urinar, sangue na urina, vontade frequente para urinar, incontinência urinária, sensação de esvaziamento incompleto, diminuição da quantidade de urina e, em alguns casos, febre e calafrios.

É importante consultar o urologista, ginecologista ou clínico geral, sempre que surgir a dor na bexiga, especialmente se piora rapidamente ou é acompanhada de outros sintomas, para que seja diagnosticada a sua causa e iniciado o tratamento mais adequado.

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As principais causas da dor na bexiga são:

1. Infecção urinária

A infecção urinária é a causa mais frequente de dor na bexiga, sendo normalmente acompanhada de outros sintomas como dor ou ardor ao urinar, urina turva e vontade frequente para urinar. Conheça outros sintomas de infecção urinária.

A infecção urinária é causada principalmente por bactérias naturalmente presentes no organismo, que podem se proliferar devido a um desequilíbrio da microbiota da região genital.

O que fazer: o tratamento deve ser recomendado pelo ginecologista ou urologista, senso geralmente feito com o uso de antibióticos como fosfomicina, nitrofurantoína, amoxicilina e ciprofloxacino.

É também recomendado beber bastante água ou sucos de fruta pois ajudam a eliminar a urina, contribuindo para a eliminação das bactérias.

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2. Síndrome da bexiga dolorosa

A síndrome da bexiga dolorosa é uma inflamação ou irritação crônica e não infecciosa da parede da bexiga resultando em sintomas como dor intensa na bexiga, urgência para urinar, vontade de urinar várias vezes, dor ou desconforto ao urinar ou dor durante a relação sexual.

As causas da cistite intersticial ainda não são totalmente conhecidas, mas acredita-se que pode ocorrer devido a danos no revestimento da bexiga, problemas nos músculos do assoalho pélvico ou alterações no sistema imunológico.

O que fazer: o tratamento deve ser feito com orientação do urologista que pode indicar o uso de remédios analgésicos ou anti-inflamatórios para aliviar os sintomas.

Leia também: Síndrome da bexiga dolorosa: o que é, sintomas e tratamento (tem cura?) tuasaude.com/sindrome-da-bexiga-dolorosa

3. Bexiga neurogênica

A bexiga neurogênica é a incapacidade de controlar a bexiga ou o esfíncter uretral interno, que fica no colo da bexiga, resultando em incontinência urinária, sensação de esvaziamento incompleto na urina e, em muitos casos, dor na bexiga.

O que fazer: o tratamento deve ser orientado pelo urologista ou neurologista, podendo ser indicada a realização de fisioterapia, uso de remédios como oxibutinina ou tolterodina, passagem de sonda vesical ou, em alguns casos, cirurgia. Veja todas as opções de tratamento para a bexiga neurogênica.

4. Endometriose na bexiga

A endometriose na bexiga é quando o tecido do endométrio cresce nas paredes da bexiga, gerando sintomas como dor na bexiga, queimação ao urinar ou vontade frequente para urinar, especialmente durante a menstruação.

O que fazer: a endometriose na bexiga deve ser tratada com orientação do ginecologista, que pode indicar o uso de anticoncepcionais, anti-inflamatórios, a colocação do DIU Mirena e, nos casos mais graves, cirurgia.

5. Pedra nos rins

A pedra nos rins geralmente causa dor intensa final das costas ou na lateral do corpo, cólicas, náuseas e vômitos, e se desloca para qualquer parte do trato urinário, como ureteres, bexiga e uretra. Saiba identificar todos os sintomas de pedra nos rins.

Sintomas como necessidade de urinar frequentemente ou urgência em urinar, ou diminuição da quantidade de urina ou incapacidade para urinar, podem surgir quando a pedra bloqueia alguma parte do trato urinário.

O que fazer: deve-se procurar atendimento médico imediatamente para fazer analgésicos diretamente na veia para aliviar a dor.

Em alguns casos, o médico pode fazer cirurgia, como litotripsia, ureteroscopia ou nefrolitotomia, para remover ou partir a pedra em pedaços menores. Veja todas as opções de tratamento para a pedra nos rins.

6. Pedra vesical

A pedra vesical é uma pedra na bexiga que se forma quando os minerais presentes na urina, como sais de cálcio, ácido úrico, fosfato-amônio magnésio e/ou cistina, se cristalizam e se juntam na bexiga, podendo não causar sintomas.

No entanto, a pedra vesical pode causar irritação na bexiga ou bloquear a passagem da urina, levando ao surgimento de dor na bexiga, dificuldade ou incapacidade para urinar, ou aumento da frequência urinária.

O que fazer: o tratamento deve ser feito pelo urologista que inclui beber muita água para tentar eliminar a pedra da bexiga naturalmente, caso sejam pequenas.

Em alguns casos, o médico pode indicar uma cirurgia para remover as pedras, como a cistolitotripsia ou cistolitotomia, por exemplo. Veja como é feito o tratamento da pedra na bexiga.

7. Câncer de bexiga

O câncer de bexiga é um tumor que pode afetar a camada interna da bexiga ou o músculo da bexiga, sendo que geralmente os sintomas iniciais são sangue na urina ou urina alaranjada ou vermelho escura.

À medida que a doença evolui, podem surgir outros sintomas, como jato de urina fraco, sensação de dor ou ardor ao urinar, dor na bexiga, dificuldade ou incapacidade para urinar, dor lombar, fraqueza ou perda de peso sem motivo aparente.

O que fazer: deve-se consultar o oncologista para iniciar o tratamento que pode ser feito com imunoterapia com BCG diretamente na bexiga, cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. Veja como é feito o tratamento do câncer de bexiga.

8. Alterações na próstata

A dor na bexiga, em homens, também pode surgir devido alterações na próstata, como inflamações, infecções, como a prostatite, ou até câncer de próstata.

Além disso, outros sintomas que podem surgir devido a alterações na próstata são dor nos testículos ou no pênis, dor na região entre a bolsa escrotal e o reto, dor ao urinar, diminuição do jato de urina, ou presença de sangue na urina e/ou no esperma.

O que fazer: o tratamento deve ser feito com orientação do urologista, conforme a causa, podendo ser indicado o uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, para aliviar os sintomas, e o uso de antibióticos, no caso de infecções.

Já no caso de câncer de próstata, o tratamento pode ser feito com cirurgia, radioterapia, hormonioterapia ou quimioterapia, por exemplo.

9. Uso de medicamentos

Alguns medicamentos, especialmente quimioterápicos, como ifosfamida, ciclofosfamida ou BCG, podem causar irritação do tecido da bexiga, cistite ou infecções urinárias, resultando em dor ou desconforto na bexiga, sensação de queimação e sangramento ao urinar, febre ou calafrios.

O que fazer: deve-se consultar o oncologista responsável pelo tratamento, que poderá indicar o uso de analgésicos para aliviar os sintomas, e antibióticos para combater a infecção.

10. Uso de sonda vesical

A sonda vesical é um tubo flexível inserido através da uretra até a bexiga, para drenar a urina, sendo indicada para aliviar a retenção urinária, esvaziamento da bexiga antes ou após cirurgias, administração de remédios ou controle da quantidade de urina, por exemplo.

No entanto, o uso prolongado da sonda vesical pode aumentar o risco de complicações, como infecção urinária, resultando em dor na bexiga, mal estar e febre.

O que fazer: o tratamento é feito pelo urologista ou clínico geral, com o uso de remédios antibióticos para combater a bactéria, analgésicos ou anti-inflamatórios para aliviar a dor e reduzir a febre.

Além disso, é recomendado também trocar ou retirar a sonda, de acordo com cada caso e da avaliação médica. Veja como cuidar da sonda vesical.

11. Inflamações nos órgãos da região na pelve

Algumas inflamações nos órgãos da região na pelve, podem causar dor abdominal e irradiar para outros locais, podendo dar a sensação de dor na bexiga.

Algumas das principais inflamações nos órgãos da região na pelve são doença inflamatória pélvica (DIP), doença inflamatória intestinal ou síndrome do cólon irritável, ou inflamações de músculos ou articulações da pelve.

O que fazer: deve-se consultar o urologista, no caso de homens, ou o ginecologista, no caso de mulheres, para identificar a causa da dor na bexiga, e assim, iniciar o tratamento específico, de acordo com sua causa.

12. Gravidez

A dor na bexiga na gravidez pode surgir devido às mudanças corporais que a mulher sofre durante este período, devido ao maior relaxamento da bexiga e a pressão que o útero aumentado faz sobre os órgãos da pelve.

Além disso, durante a gravidez, a mulher tem maior tendência para desenvolver infecção urinária, e por isso é comum associar a dor na bexiga com a gravidez.

O que fazer: o tratamento da infecção urinária na gravidez deve ser feito com orientação do obstetra e envolve o uso de antibióticos seguros, como cefalexina, nitrofurantoína ou sulfametoxazol + trimetoprima.

Além disso, é recomendado também beber bastante água, não segurar o xixi e esvaziar a bexiga completamente sempre que for urinar.

Leia também: Infecção urinária na gravidez: sintomas, riscos e tratamento tuasaude.com/infeccao-urinaria-na-gravidez

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segunda-feira, 6 de abril de 2026

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Especialistas em resistência à insulina: qual médico consultar?

Os especialistas no diagnóstico e tratamento da resistência à insulina, conforme a ordem de prioridade, são:

1. Endocrinologista

O endocrinologista é o principal especialista responsável por diagnosticar e tratar a resistência à insulina, já que cuida das doenças hormonais e metabólicas.

Esse profissional avalia alterações nos níveis de glicose no sangue, solicita exames laboratoriais e orienta o tratamento adequado desta condição.

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Entre as condições que também podem ser tratadas pelo endocrinologista estão:

  • Diabetes tipo;
  • Obesidade;
  • Síndrome dos ovários policísticos;
  • Distúrbios da tireoide, como hipotireoidismo e hipertireoidismo;
  • Alterações no colesterol e triglicerídeos;
  • Osteoporose;
  • Distúrbios hormonais;

Além disso, o endocrinologista também pode acompanhar problemas relacionados ao crescimento, alterações hormonais na adolescência e distúrbios das glândulas suprarrenais.

Leia também: Endocrinologista: o que é, o que faz (e quando consultar) tuasaude.com/endocrinologista

2. Clínico geral

O clínico geral pode ser o primeiro médico a identificar sinais de resistência à insulina. Esse profissional avalia sintomas iniciais, solicita exames básicos de sangue e orienta mudanças no estilo de vida.

Se for necessário, o clínico geral pode encaminhar a pessoa para um endocrinologista para um acompanhamento mais específico.

3. Ginecologista

O ginecologista é o especialista que pode participar do diagnóstico em mulheres, principalmente se houver a suspeita de síndrome dos ovários policísticos, uma condição frequentemente associada à resistência à insulina.

Esse profissional avalia alterações hormonais e pode solicitar exames complementares.

4. Cardiologista

O cardiologista pode ser indicado para pessoas que têm doenças cardiovasculares, como pressão alta ou dislipidemia associadas à resistência à insulina.

Esse especialista avalia o impacto dessas alterações na saúde cardiovascular e orienta o tratamento adequado.

5. Nutrólogo

O nutrólogo é um médico especialista que estuda a relação entre os nutrientes dos alimentos e as doenças.

Na resistência à insulina, este médico solicita exames de diagnóstico e indica o uso de medicamentos ou suplementos, para prevenir que o quadro evolua para doenças mais graves.

Quando marcar consulta

É recomendado marcar consulta com especialista em resistência à insulina sempre que surgirem sinais como:

  • Pele escura, espessa e aveludada, no pescoço, axilas, virilha, cotovelos ou articulações dos dedos;
  • Circunferência da cintura aumentada;
  • Fadiga;
  • Dificuldade para perder peso;
  • Fome excessiva.

O tratamento envolve principalmente mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável, prática regular de atividade física e controle do peso.

Quando necessário, o médico também pode indicar o uso de medicamentos, como a metformina, para ajudar a melhorar a ação da insulina e evitar o desenvolvimento de diabetes e outras complicações, ou medicamentos para perda de peso, como a semaglutida ou tirzepatida.

Leia também: Resistência à insulina: o que é, sintomas, causas e tratamento tuasaude.com/resistencia-a-insulina

source https://www.tuasaude.com/especialistas-em-resistencia-a-insulina/

Transplante renal: o que é, como é feito (e recuperação)

O Transplante renal é uma cirurgia onde é feita a substituição do rim doente por outro saudável, de um doador compatível, podendo ser indicado para pessoas com doença renal crônica avançada.

Essa cirurgia, também conhecida como transplante de rim, é recomendada quando existem danos graves no rim que prejudicam a sua função de filtrar e eliminar toxinas do organismo, e manter o equilíbrio de água e minerais no corpo.

Leia também: Transplante: quando é indicado, como é feito, recuperação (e outras dúvidas) tuasaude.com/transplante

O transplante renal deve ser indicado e feito pelo nefrologista e para uma boa recuperação é importante seguir alguns cuidados, como tomar os remédios indicados e fazer uma alimentação balanceada.

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Quando é indicado

O transplante renal é indicado para pessoas com doença renal crônica avançada e que atendam condições como:

  • Esteja realizando alguma terapia renal substitutiva, como hemodiálise ou diálise peritoneal;
  • Pessoas com taxa de filtração glomerular inferior a 10 ml/min/1,73m2;
  • Idade inferior a 18 anos e com taxa de filtração glomerular menor que 15 mL/min/1,73m2;
  • Pessoas com diabetes mellitus que apresentem taxa de filtração glomerular inferior a 15 ml/min/1,73m2.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, as pessoas candidatas a transplante renal devem ser encaminhadas para um serviço especializado quando a taxa de filtração glomerular estiver abaixo de 20 ml/min/1,73m2.

Entretanto, o transplante renal já deve ser discutido com a pessoa como uma opção de terapia renal substitutiva a partir do estágio G4 da doença, que é quando a taxa de filtração glomerular atinge entre 29 e 15 ml/min/1,73m2.

Marque uma consulta com o nefrologista, se deseja avaliar a saúde dos rins e verificar a necessidade de realizar o transplante:

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Como é o preparo

O preparo do transplante se inicia com uma avaliação médica para identificar se existe algum fator que impeça a cirurgia e avaliar o risco de rejeição do novo rim.

O médico também solicita exames como análises de sangue e exames de imagem, para avaliar as condições de saúde e a função do rim da pessoa.

Se for um transplante com doador vivo, é necessário fazer um jejum de 8 horas. No caso de doador já falecido, o jejum deve começar assim que a pessoa for notificada de que o rim está disponível.

Se a pessoa estiver em esquema de diálise de rotina, receberá uma sessão de hemodiálise antes da cirurgia.

Um pouco antes da operação, a pessoa coloca uma camisola hospitalar e recebe linhas intravenosas no braço, mão ou pescoço para administrar medicamentos e coletar sangue.

Um cateter urinário também é inserido na bexiga e a pessoa recebe anestesia geral.

Como avaliar se o transplante é compatível

Para avaliar se o transplante é compatível, são realizados exames de sangue e testes imunológicos no doador e na pessoa que vai doar o órgão, se for de um doador vivo, por exemplo.

Assim, o médico pode solicitar a tipagem sanguínea da pessoa doadora e de quem receberá o órgão, a tipagem do antígeno leucocitário humano e a prova cruzada, por exemplo.

O médico avalia se o transplante é compatível, que pode ser um doador vivo ou falecido, desde que seja saudável e não tenha qualquer doença. Esse doador pode ser familiar ou não com o receptor.

No caso de órgãos de doadores já falecidos, os testes de sangue do doador são cruzados com os dos receptores da lista de espera, e o rim é destinado àquele que tiver maior compatibilidade.

Como é feito o transplante

A cirurgia de transplante renal é feita pelo nefrologista, conforme as seguintes etapas:

  1. Aplicar a anestesia geral na sala de cirurgia;
  2. Limpar o local cirúrgico com uma solução antisséptica e fazer um corte no abdome;
  3. Inserir o rim do doador na barriga e posicionar no lado direito ou esquerdo;
  4. Ligar as veias e artérias do rim do doador ao receptor;
  5. Ligar o ureter transplantado à bexiga;
  6. Fechar o corte, colocando pontos ou grampos cirúrgicos, e colocar um curativo estéril sobre o corte.

O rim não afetado da pessoa transplantada normalmente não é retirado, pois sua pouca função ainda é útil, especialmente nos primeiros momentos, quando o rim transplantado ainda não está completamente funcional. O rim doente só é retirado caso esteja causando infecção, por exemplo.

Entenda melhor com o Dr. Rodrigo Vianna quando a cirurgia de transplante é indicada:

Robótica no transplante renal

O uso da robótica no transplante renal e na captação de rins para doação oferece uma abordagem cirúrgica minimamente invasiva em substituição à técnica aberta tradicional.

Essa técnica é assistida por robô e pode ser usada tanto para a retirada do órgão do doador quanto para a cirurgia de implantação na pessoa receptora.

Alguns benefícios da cirurgia robótica no transplante renal incluem maior precisão e cortes menores, reduzindo a dor no pós-operatório, uma recuperação mais rápida, menor tempo de internação hospitalar e diminuição de complicações.

Entretanto, por ser mais caro, ainda tem o acesso limitado. Além disso, também é necessária uma equipe cirúrgica muito especializada para manusear o robô.

Como é a recuperação

Logo após a cirurgia, a pessoa vai para a sala de recuperação e pode ser levada temporariamente para a UTI para monitoramento contínuo dos sinais vitais antes de ser transferida para um quarto comum.

A internação hospitalar normalmente dura alguns dias, com acompanhamento do cirurgião, do anestesista e do enfermeiro, para que possam ser observados de perto possíveis sinais de reação ao transplante e o tratamento possa ser feito imediatamente. 

Nesse período, o rim transplantado deve começar a funcionar normalmente, o que pode ocorrer imediatamente após a cirurgia ou demorar alguns dias, sendo que nesse caso, é recomendado fazer hemodiálise até que o novo rim comece a funcionar.

O curativo na barriga que protege a cicatriz contra infecções será trocado pelo enfermeiro sempre que houver necessidade e, caso a pessoa sinta dor, o médico poderá receitar o uso de analgésicos.

A pessoa receberá fluidos na veia até conseguir se alimentar sozinha, e a comida sólida será reintroduzida aos poucos. Normalmente, já no dia seguinte ao procedimento, a pessoa é estimulada a sair da cama e se movimentar.

A partir do momento em que a pessoa encontra-se estabilizada, não existem sinais de rejeição e os exames são considerados normais, o médico pode dar alta, sendo importante seguir o tratamento e as recomendações médicas em casa.

Cuidados após o transplante

Os principais cuidados após o transplante renal são:

1. Cuidados gerais

Após a alta hospitalar, alguns cuidados gerais importantes para a recuperação são:

  • Manter a área da cirurgia limpa e seca, não submergindo o corte em água até que a pele esteja totalmente cicatrizada para evitar infecções;
  • Não dirigir até receber liberação médica;
  • Tomar os remédios imunossupressores, como prednisolona, azatioprina e ciclosporina, conforme indicado pelo médico para evitar a rejeição do rim;
  • Tomar os antibióticos receitados pelo médico para evitar possíveis infecções;
  • Não realizar atividades físicas nos primeiros 3 meses;
  • Realizar exames semanais durante o primeiro mês, espaçando para duas consultas mensais até o 3º mês devido ao risco de rejeição do órgão pelo organismo;
  • Não fumar;
  • Evitar lugares com grandes aglomerações de pessoas e o contacto com pessoas doentes.

A recuperação total do transplante, geralmente dura cerca de 3 meses e após esse período, o médico pode recomendar atividades físicas, como caminhada ou natação, por exemplo.

É  fundamental também que a pessoa compareça às consultas médicas regulares após o transplante, para verificar a função do rim, ajustar terapias e diagnosticar precocemente possíveis complicações.

2. Cuidados com a alimentação

A dieta para o transplante renal deve ser orientada por um nutricionista e normalmente inclui:

  • Comer vegetais e frutas, pelo menos 5 porções por dia; 
  • Priorizar alimentos ricos em fibras, como cereais integrais, leguminosas, oleaginosas e sementes, diariamente;
  • Diminuir o consumo de sódio, para ajudar a controlar a retenção de líquido, inchaço e pressão arterial;
  • Priorizar carnes magras, como frango, ovo ou peixe, nas quantidades recomendadas pelo nutricionista;
  • Evitar consumir alimentos ultraprocessados, como molhos e temperos prontos, refeições do tipo fast food, cereais matinais e sorvetes;
  • Evitar bebidas alcoólicas, como vinho, cerveja e espumante;
  • Diminuir ou limitar o consumo de carnes vermelhas, como carne bovina, de porco e cordeiro;
  • Evitar comer legumes crus, optando por cozinhá-los;
  • Higienizar, com hipoclorito de sódio ou água sanitária, as frutas e vegetais que forem consumidos com casca;
  • Lavar bem as frutas que serão consumidas sem casca em água corrente e detergente e depois descascá-las;
  • Não comer carnes cruas, ovos crus;
  • Consumir embutidos, como salame, presunto ou presunto de Parma somente após cozinhar, assar ou grelhar;
  • Não ingerir mel antes de 3 meses após o transplante e após o uso prolongado de antibióticos;
  • Beber líquidos para hidratar o corpo, nas quantidades recomendadas pelo médico e nutricionista.

Se a pessoa apresentar elevação de potássio no sangue devido aos medicamentos, o nutricionista pode orientar a restrição de alguns alimentos, como vegetais muito ricos no mineral, como leguminosas, nozes, sementes e algumas frutas.

Leia também: 58 alimentos ricos em potássio tuasaude.com/alimentos-ricos-em-potassio

Possíveis riscos e complicações

Alguns riscos e complicações que podem surgir após o transplante renal são:

  • Rejeição do rim transplantado;
  • Infecção na cicatriz cirúrgica;
  • Infecções urinárias ou generalizadas;
  • Linfocele;
  • Formação de coágulos no sangue ou trombose;
  • Vazamento no interior cor corpo ou bloqueio de urina;
  • Sangramento ou hemorragia.

Embora sejam raros, também podem ocorrer complicações da anestesia geral como reações anafiláticas, náuseas, vômitos, queda da pressão arterial, calafrios, tremores, febre, infecção, por exemplo. 

Também podem surgir efeitos colaterais dos remédios imunossupressores, como aumento do peso, pressão alta, osteoporose, diabetes, inchaço corporal e alterações na pele e mucosas, como acne ou aftas, por exemplo.

Sinais de alerta para voltar ao médico

É importante consultar o nefrologista ou procurar o pronto socorro mais próximo, caso surjam sintomas como febre, dor ou extrema sensibilidade na área onde o rim foi implantado, sangue na urina ou diminuição repentina na quantidade de urina produzida e inchaço ou aumento de peso repentino.

Além disso, também deve-se ir ao hospital caso surjam sintomas de infecção no local da cicatriz, como inchaço, calor e vermelhidão.

Rejeição do transplante renal

A rejeição do transplante renal pode acontecer pois o sistema imunológico do corpo da pessoa reconhece o novo órgão como um tecido estranho e uma ameaça, e o ataca. Por isso, o uso de medicamentos imunossupressores é fundamental.

Essa condição pode surgir logo após o transplante, sendo chamada de rejeição hiperaguda, caracterizada por febre e ausência da produção de urina, e embora seja muito rara, deve ser tratada imediatamente para remover o rim transplantado.

A rejeição também pode ocorrer uma semana ou até três meses após o transplante, sendo conhecida como rejeição aguda, ou ainda se desenvolver ao longo dos anos, deteriorando lenta e progressivamente a função do rim transplantado, sendo chamada de rejeição crônica.

A rejeição do transplante renal pode ser detectada através de exames de sangue ou de imagem. Para confirmar a rejeição, o médico deve solicitar uma biópsia do rim, para avaliar no laboratório e identificar alterações no tecido renal transplantado.

Leia também: Biópsia renal: o que é, como é feita e como se preparar tuasaude.com/biopsia-renal

Sintomas de rejeição do transplante renal

Os principais sintomas da rejeição do transplante renal são:

  • Febre;
  • Aumento da sensibilidade ou dor no local do transplante;
  • Aumento da dor ao redor do local do corte cirúrgico, acompanhado de vermelhidão, inchaço, sangramento ou saída de outras secreções;
  • Pressão alta repentina;
  • Diminuição repentina no volume de urina.

Esses sintomas devem ser comunicados imediatamente ao médico, para que sejam avaliados e iniciado o tratamento necessário o mais rápido possível.

Quem não pode fazer

O transplante renal não deve ser feito por pessoas com câncer ativo ou não tratado, doenças cardiovasculares, pulmonares ou hepáticas graves que não estejam controladas ou que impeçam a pessoa de tolerar a cirurgia.

Pessoas com doenças neurológicas degenerativas progressivas, vasculopatia grave, infecções ativas ou desnutrição grave também não devem fazer essa cirurgia.

Distúrbios psiquiátricos não controlados, uso abusivo de álcool e drogas ilícitas, ou problemas graves na estrutura familiar também são contraindicações para o transplante renal.

Já condições como infarto ou acidente vascular encefálico há menos de 6 meses, ou ataque isquêmico transitório há menos de 3 meses, uso de anticoagulantes e obesidade mórbida, por exemplo, devem ser avaliadas individualmente pelo médico.

Leia também: Xenotransplante: o que é, quando é indicado e possíveis riscos tuasaude.com/xenotransplante

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Lobotomia: o que é, para que serve (ainda existe?)

A lobotomia foi um procedimento cirúrgico cerebral que consistia em destruir ligações nos lobos frontais do cérebro, para tentar controlar t...