segunda-feira, 6 de abril de 2026

Transplante renal: o que é, como é feito (e recuperação)

O Transplante renal é uma cirurgia onde é feita a substituição do rim doente por outro saudável, de um doador compatível, podendo ser indicado para pessoas com doença renal crônica avançada.

Essa cirurgia, também conhecida como transplante de rim, é recomendada quando existem danos graves no rim que prejudicam a sua função de filtrar e eliminar toxinas do organismo, e manter o equilíbrio de água e minerais no corpo.

Leia também: Transplante: quando é indicado, como é feito, recuperação (e outras dúvidas) tuasaude.com/transplante

O transplante renal deve ser indicado e feito pelo nefrologista e para uma boa recuperação é importante seguir alguns cuidados, como tomar os remédios indicados e fazer uma alimentação balanceada.

Imagem ilustrativa número 1

Quando é indicado

O transplante renal é indicado para pessoas com doença renal crônica avançada e que atendam condições como:

  • Esteja realizando alguma terapia renal substitutiva, como hemodiálise ou diálise peritoneal;
  • Pessoas com taxa de filtração glomerular inferior a 10 ml/min/1,73m2;
  • Idade inferior a 18 anos e com taxa de filtração glomerular menor que 15 mL/min/1,73m2;
  • Pessoas com diabetes mellitus que apresentem taxa de filtração glomerular inferior a 15 ml/min/1,73m2.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, as pessoas candidatas a transplante renal devem ser encaminhadas para um serviço especializado quando a taxa de filtração glomerular estiver abaixo de 20 ml/min/1,73m2.

Entretanto, o transplante renal já deve ser discutido com a pessoa como uma opção de terapia renal substitutiva a partir do estágio G4 da doença, que é quando a taxa de filtração glomerular atinge entre 29 e 15 ml/min/1,73m2.

Marque uma consulta com o nefrologista, se deseja avaliar a saúde dos rins e verificar a necessidade de realizar o transplante:

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Como é o preparo

O preparo do transplante se inicia com uma avaliação médica para identificar se existe algum fator que impeça a cirurgia e avaliar o risco de rejeição do novo rim.

O médico também solicita exames como análises de sangue e exames de imagem, para avaliar as condições de saúde e a função do rim da pessoa.

Se for um transplante com doador vivo, é necessário fazer um jejum de 8 horas. No caso de doador já falecido, o jejum deve começar assim que a pessoa for notificada de que o rim está disponível.

Se a pessoa estiver em esquema de diálise de rotina, receberá uma sessão de hemodiálise antes da cirurgia.

Um pouco antes da operação, a pessoa coloca uma camisola hospitalar e recebe linhas intravenosas no braço, mão ou pescoço para administrar medicamentos e coletar sangue.

Um cateter urinário também é inserido na bexiga e a pessoa recebe anestesia geral.

Como avaliar se o transplante é compatível

Para avaliar se o transplante é compatível, são realizados exames de sangue e testes imunológicos no doador e na pessoa que vai doar o órgão, se for de um doador vivo, por exemplo.

Assim, o médico pode solicitar a tipagem sanguínea da pessoa doadora e de quem receberá o órgão, a tipagem do antígeno leucocitário humano e a prova cruzada, por exemplo.

O médico avalia se o transplante é compatível, que pode ser um doador vivo ou falecido, desde que seja saudável e não tenha qualquer doença. Esse doador pode ser familiar ou não com o receptor.

No caso de órgãos de doadores já falecidos, os testes de sangue do doador são cruzados com os dos receptores da lista de espera, e o rim é destinado àquele que tiver maior compatibilidade.

Como é feito o transplante

A cirurgia de transplante renal é feita pelo nefrologista, conforme as seguintes etapas:

  1. Aplicar a anestesia geral na sala de cirurgia;
  2. Limpar o local cirúrgico com uma solução antisséptica e fazer um corte no abdome;
  3. Inserir o rim do doador na barriga e posicionar no lado direito ou esquerdo;
  4. Ligar as veias e artérias do rim do doador ao receptor;
  5. Ligar o ureter transplantado à bexiga;
  6. Fechar o corte, colocando pontos ou grampos cirúrgicos, e colocar um curativo estéril sobre o corte.

O rim não afetado da pessoa transplantada normalmente não é retirado, pois sua pouca função ainda é útil, especialmente nos primeiros momentos, quando o rim transplantado ainda não está completamente funcional. O rim doente só é retirado caso esteja causando infecção, por exemplo.

Entenda melhor com o Dr. Rodrigo Vianna quando a cirurgia de transplante é indicada:

Robótica no transplante renal

O uso da robótica no transplante renal e na captação de rins para doação oferece uma abordagem cirúrgica minimamente invasiva em substituição à técnica aberta tradicional.

Essa técnica é assistida por robô e pode ser usada tanto para a retirada do órgão do doador quanto para a cirurgia de implantação na pessoa receptora.

Alguns benefícios da cirurgia robótica no transplante renal incluem maior precisão e cortes menores, reduzindo a dor no pós-operatório, uma recuperação mais rápida, menor tempo de internação hospitalar e diminuição de complicações.

Entretanto, por ser mais caro, ainda tem o acesso limitado. Além disso, também é necessária uma equipe cirúrgica muito especializada para manusear o robô.

Como é a recuperação

Logo após a cirurgia, a pessoa vai para a sala de recuperação e pode ser levada temporariamente para a UTI para monitoramento contínuo dos sinais vitais antes de ser transferida para um quarto comum.

A internação hospitalar normalmente dura alguns dias, com acompanhamento do cirurgião, do anestesista e do enfermeiro, para que possam ser observados de perto possíveis sinais de reação ao transplante e o tratamento possa ser feito imediatamente. 

Nesse período, o rim transplantado deve começar a funcionar normalmente, o que pode ocorrer imediatamente após a cirurgia ou demorar alguns dias, sendo que nesse caso, é recomendado fazer hemodiálise até que o novo rim comece a funcionar.

O curativo na barriga que protege a cicatriz contra infecções será trocado pelo enfermeiro sempre que houver necessidade e, caso a pessoa sinta dor, o médico poderá receitar o uso de analgésicos.

A pessoa receberá fluidos na veia até conseguir se alimentar sozinha, e a comida sólida será reintroduzida aos poucos. Normalmente, já no dia seguinte ao procedimento, a pessoa é estimulada a sair da cama e se movimentar.

A partir do momento em que a pessoa encontra-se estabilizada, não existem sinais de rejeição e os exames são considerados normais, o médico pode dar alta, sendo importante seguir o tratamento e as recomendações médicas em casa.

Cuidados após o transplante

Os principais cuidados após o transplante renal são:

1. Cuidados gerais

Após a alta hospitalar, alguns cuidados gerais importantes para a recuperação são:

  • Manter a área da cirurgia limpa e seca, não submergindo o corte em água até que a pele esteja totalmente cicatrizada para evitar infecções;
  • Não dirigir até receber liberação médica;
  • Tomar os remédios imunossupressores, como prednisolona, azatioprina e ciclosporina, conforme indicado pelo médico para evitar a rejeição do rim;
  • Tomar os antibióticos receitados pelo médico para evitar possíveis infecções;
  • Não realizar atividades físicas nos primeiros 3 meses;
  • Realizar exames semanais durante o primeiro mês, espaçando para duas consultas mensais até o 3º mês devido ao risco de rejeição do órgão pelo organismo;
  • Não fumar;
  • Evitar lugares com grandes aglomerações de pessoas e o contacto com pessoas doentes.

A recuperação total do transplante, geralmente dura cerca de 3 meses e após esse período, o médico pode recomendar atividades físicas, como caminhada ou natação, por exemplo.

É  fundamental também que a pessoa compareça às consultas médicas regulares após o transplante, para verificar a função do rim, ajustar terapias e diagnosticar precocemente possíveis complicações.

2. Cuidados com a alimentação

A dieta para o transplante renal deve ser orientada por um nutricionista e normalmente inclui:

  • Comer vegetais e frutas, pelo menos 5 porções por dia; 
  • Priorizar alimentos ricos em fibras, como cereais integrais, leguminosas, oleaginosas e sementes, diariamente;
  • Diminuir o consumo de sódio, para ajudar a controlar a retenção de líquido, inchaço e pressão arterial;
  • Priorizar carnes magras, como frango, ovo ou peixe, nas quantidades recomendadas pelo nutricionista;
  • Evitar consumir alimentos ultraprocessados, como molhos e temperos prontos, refeições do tipo fast food, cereais matinais e sorvetes;
  • Evitar bebidas alcoólicas, como vinho, cerveja e espumante;
  • Diminuir ou limitar o consumo de carnes vermelhas, como carne bovina, de porco e cordeiro;
  • Evitar comer legumes crus, optando por cozinhá-los;
  • Higienizar, com hipoclorito de sódio ou água sanitária, as frutas e vegetais que forem consumidos com casca;
  • Lavar bem as frutas que serão consumidas sem casca em água corrente e detergente e depois descascá-las;
  • Não comer carnes cruas, ovos crus;
  • Consumir embutidos, como salame, presunto ou presunto de Parma somente após cozinhar, assar ou grelhar;
  • Não ingerir mel antes de 3 meses após o transplante e após o uso prolongado de antibióticos;
  • Beber líquidos para hidratar o corpo, nas quantidades recomendadas pelo médico e nutricionista.

Se a pessoa apresentar elevação de potássio no sangue devido aos medicamentos, o nutricionista pode orientar a restrição de alguns alimentos, como vegetais muito ricos no mineral, como leguminosas, nozes, sementes e algumas frutas.

Leia também: 58 alimentos ricos em potássio tuasaude.com/alimentos-ricos-em-potassio

Possíveis riscos e complicações

Alguns riscos e complicações que podem surgir após o transplante renal são:

  • Rejeição do rim transplantado;
  • Infecção na cicatriz cirúrgica;
  • Infecções urinárias ou generalizadas;
  • Linfocele;
  • Formação de coágulos no sangue ou trombose;
  • Vazamento no interior cor corpo ou bloqueio de urina;
  • Sangramento ou hemorragia.

Embora sejam raros, também podem ocorrer complicações da anestesia geral como reações anafiláticas, náuseas, vômitos, queda da pressão arterial, calafrios, tremores, febre, infecção, por exemplo. 

Também podem surgir efeitos colaterais dos remédios imunossupressores, como aumento do peso, pressão alta, osteoporose, diabetes, inchaço corporal e alterações na pele e mucosas, como acne ou aftas, por exemplo.

Sinais de alerta para voltar ao médico

É importante consultar o nefrologista ou procurar o pronto socorro mais próximo, caso surjam sintomas como febre, dor ou extrema sensibilidade na área onde o rim foi implantado, sangue na urina ou diminuição repentina na quantidade de urina produzida e inchaço ou aumento de peso repentino.

Além disso, também deve-se ir ao hospital caso surjam sintomas de infecção no local da cicatriz, como inchaço, calor e vermelhidão.

Rejeição do transplante renal

A rejeição do transplante renal pode acontecer pois o sistema imunológico do corpo da pessoa reconhece o novo órgão como um tecido estranho e uma ameaça, e o ataca. Por isso, o uso de medicamentos imunossupressores é fundamental.

Essa condição pode surgir logo após o transplante, sendo chamada de rejeição hiperaguda, caracterizada por febre e ausência da produção de urina, e embora seja muito rara, deve ser tratada imediatamente para remover o rim transplantado.

A rejeição também pode ocorrer uma semana ou até três meses após o transplante, sendo conhecida como rejeição aguda, ou ainda se desenvolver ao longo dos anos, deteriorando lenta e progressivamente a função do rim transplantado, sendo chamada de rejeição crônica.

A rejeição do transplante renal pode ser detectada através de exames de sangue ou de imagem. Para confirmar a rejeição, o médico deve solicitar uma biópsia do rim, para avaliar no laboratório e identificar alterações no tecido renal transplantado.

Leia também: Biópsia renal: o que é, como é feita e como se preparar tuasaude.com/biopsia-renal

Sintomas de rejeição do transplante renal

Os principais sintomas da rejeição do transplante renal são:

  • Febre;
  • Aumento da sensibilidade ou dor no local do transplante;
  • Aumento da dor ao redor do local do corte cirúrgico, acompanhado de vermelhidão, inchaço, sangramento ou saída de outras secreções;
  • Pressão alta repentina;
  • Diminuição repentina no volume de urina.

Esses sintomas devem ser comunicados imediatamente ao médico, para que sejam avaliados e iniciado o tratamento necessário o mais rápido possível.

Quem não pode fazer

O transplante renal não deve ser feito por pessoas com câncer ativo ou não tratado, doenças cardiovasculares, pulmonares ou hepáticas graves que não estejam controladas ou que impeçam a pessoa de tolerar a cirurgia.

Pessoas com doenças neurológicas degenerativas progressivas, vasculopatia grave, infecções ativas ou desnutrição grave também não devem fazer essa cirurgia.

Distúrbios psiquiátricos não controlados, uso abusivo de álcool e drogas ilícitas, ou problemas graves na estrutura familiar também são contraindicações para o transplante renal.

Já condições como infarto ou acidente vascular encefálico há menos de 6 meses, ou ataque isquêmico transitório há menos de 3 meses, uso de anticoagulantes e obesidade mórbida, por exemplo, devem ser avaliadas individualmente pelo médico.

Leia também: Xenotransplante: o que é, quando é indicado e possíveis riscos tuasaude.com/xenotransplante

source https://www.tuasaude.com/transplante-de-rins/

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