A CAR-T Cell, que em inglês quer dizer Chimeric Antigen Receptor T-cell therapy, é uma terapia que funciona mudando geneticamente as células de defesa da pessoa, para que identifiquem e destruam o câncer.
Este tipo de terapia gênica é indicada no Brasil para o tratamento de linfoma não Hodgkin de células B, leucemia linfoide aguda de células B e mieloma múltiplo, em casos de falha no tratamento anterior, falta de resposta ou retorno da doença.
Leia também: Terapia gênica: o que é, como funciona (vantagens e desvantagens) tuasaude.com/terapia-genicaA CAR-T Cell atualmente está disponível e autorizada pela ANVISA para estudos clínicos autorizados, sendo oferecida de forma gratuita em centros credenciados ao SUS e também em alguns centros privados.
Principais indicações
As indicações da terapia CAR-T Cell são:
- Linfoma não Hodgkin de células B;
- Leucemia linfoide aguda de células B;
- Mieloma múltiplo.
Esta terapia é indicada no Brasil somente em casos de falha no tratamento anterior, como quimioterapia e transplante de medula óssea, ausência de resposta ou retorno da doença.
Como funciona a CAR-T Cell
A terapia CAR-T Cell funciona reprogramando as células de defesa do sistema imunológico da pessoa para identificar e combater o câncer.
As etapas da terapia CAR-T Cell são:
- Coleta das células: o sangue da pessoa é coletado por meio da aférese, onde os linfócitos T (as principais células de defesa do sistema imune) são separados e isolados, e os outros componentes do sangue retornam ao organismo;
- Modificação genética das células T: os linfócitos T são enviados para um laboratório e um gene sintético é inserido nestas células. Este gene instrui a célula a produzir um receptor chamado Receptor Quimérico de Antígeno (CAR), que atua como uma fechadura se ligando a uma proteína específica presente nas células tumorais;
- Expansão das células: as células T modificadas, agora chamadas de células CAR-T são cultivadas e multiplicadas até terem a quantidade necessária para a dose terapêutica da pessoa;
- Preparo da pessoa: alguns dias antes de receber as células, a pessoa passa por uma quimioterapia curta. Esse tratamento diminui a quantidade de outros linfócitos no sangue, favorecendo a expansão e a atuação das células CAR-T;
- Infusão das células CAR-T: as células CAR-T são enviadas ao hospital e infundidas na corrente sanguínea da pessoa por via intravenosa, em um processo similar à transfusão de sangue.
Após a infusão, as células CAR-T circulam no corpo, identificam e se ligam às células do câncer, e liberam substâncias para destruir o tumor. As células CAR-T continuam a se multiplicar e podem ficar na circulação por longos períodos.
A CAR-T Cell está disponível no Brasil?
A terapia CAR-T Cell está disponível e autorizada no Brasil pela ANVISA em estudos clínicos autorizados e de forma gratuita em centros parceiros credenciados ao SUS.
Além disso, esta terapia também é autorizada pela Anvisa e oferecida em alguns centros especializados privados.
Cuidados após a terapia
Alguns cuidados importantes após a terapia CAR-T Cell são:
- Lavar as mãos com frequência;
- Evitar consumir alimentos crus ou mal cozidos;
- Evitar o contato com pessoas doentes ou ficar em locais fechados e muito cheios;
- Evitar dirigir e operar máquinas pesadas por pelo menos 2 meses;
- Monitoramento no hospital, de 1 a 4 semanas após a infusão, para identificar e tratar rapidamente possíveis complicações.
Após a alta, a pessoa também deve ter o acompanhamento médico frequente durante pelo menos o primeiro ano, para que seja avaliada a resposta ao câncer e rastreadas possíveis complicações tardias.
Possíveis efeitos colaterais
Os possíveis efeitos colaterais da CAR-T Cell incluem:
- Síndrome de liberação de citocinas, com sintomas como febre alta, calafrios, dificuldade para respirar, hipotensão, taquicardia, tontura, dor de cabeça, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e, em casos graves, falência múltipla de órgãos;
- Neurotoxicidade, que causa confusão mental, sono excessivo, desorientação, alteração no nível de consciência, afasia, dor de cabeça, perda de equilíbrio, tremor, espasmos, dificuldade para escrever e, em casos graves, convulsões e edema cerebral;
- Citopenias, como neutropenia, anemia e trombocitopenia, provocando fadiga, facilidade para sangramentos/hematomas e maior tendência a infecções;
- Infecções bacterianas, virais ou fúngicas;
- Baixos níveis de minerais no sangue, como potássio, sódio e fósforo;
- Síndrome da lise temporal, devido à liberação de substâncias que podem sobrecarregar os rins e causar insuficiência renal;
- Síndrome semelhante à linfo-histiocitose hemofagocítica, uma reação inflamatória grave e rara que causa disfunção hepática, ferritina muito elevada e problemas de coagulação;
- Reações alérgicas, que podem ser imediatas devido à hipersensibilidade ou anafilaxia durante a aplicação intravenosa das células.
Além disso, embora seja raro, a terapia CAR-T Cell também pode aumentar o risco de novos cânceres sanguíneos no longo prazo.
Quem não pode fazer
Pessoas que não possuem a proteína-alvo nos tumores, como a CD-19 e a BCMA, e com infecções graves não controladas, não podem fazer a terapia CAR-T Cell.
A CAR-T Cell também não é indicada em casos de diminuição na quantidade ou qualidade dos linfócitos T no organismo da pessoa.
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source https://www.tuasaude.com/car-t-cell/
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